quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Que Devo Ser Quando For Grande?

            Desde pequena que me confrontam com a típica pergunta: “Que queres ser quando fores grande?”. Não só para as crianças é uma pergunta difícil, como para os adultos também! Quantas vezes não se questionam eles como seria “se tudo fosse diferente” ou “como será daqui em diante?”. Como seria se tivessem seguido os seus sonhos, os mais românticos ou até os mais idiotas! Eles podem estar presos a uma maldita secretária oito horas por dia, quarenta horas por semana, sem amor pelo que fazem, mas que no final da semana recebem um bom salário, que minimize o inferno em que vivem.

            A essas pessoas digo que perderam a vida, as suas ambições e os seus sonhos, que não quero ser como elas, enfadadas da vida. “Quero viver!”, basta eu dizer. Tenho catorze anos e ainda sou criança e gosto de o ser, para não ligar às tolices que os adultos digam de como devo viver a minha vida, sou eu que a decido. Não me importarei de viver com o ordenado mínimo nacional, desde que seja fiel a mim própria e ao meu coração. Sim, pode soar a parvoíce, mas falo pela voz de milhares de estudantes que como eu, querem seguir o que realmente gostam de fazer. Professor de surf, chef de cozinha, psicóloga ou antropóloga; a vocês, os adultos do futuro, digo que já chega de ouvirmos os “sem esperança” dizendo que não há futuro nas coisas que realmente queremos fazer.

            Porque quando há paixão e empenho, conseguimos chegar longe; sempre desejei que no futuro vivesse feliz com o meu marido mais os meus três filhos (um rapaz, uma rapariga e um “acidente”) numa grande vivenda com uma floresta ao lado, onde poderia lá ir como um escape, porque sinto-me feliz quando estou em sintonia com a Natureza. Poderei não ter uma grande vivenda, mas só quero ser feliz… Serei feliz à mesma num pequeno apartamento, fazendo o que quero e o que gosto.

            Nos tempos medievais, as pessoas eram obrigadas a casarem com quem os pais quisessem. Isso mudou, e mudará também o preconceito de que os “sem esperança” têm por nós, de que não conseguimos pensar por nós próprios, que apenas eles sabem o que é o melhor. Pois eles estão enganados, por mais crianças e imaturos que sejamos, temos sonhos. Sonhos que começaram com um simples pensamento, um rápido devaneio na nossa mente, até que damos por nós obcecados com essa pequena ideia, e pensamos: “Porque não me apercebi disto antes?”. Falamos com os nossos colegas e professores, que nos aconselham e nos aplaudem por causa de uma ideia tão inovadora, e dizem-nos para continuarmos com esse sonho.

            Estudei muito sobre esse assunto e apliquei-me nas aulas, porque a minha paixão é tão grande, que acredito que com esforço, poderei ser ótima, senão mesmo a melhor, no que quero fazer. E finalmente ganho coragem para contar aos meus pais o meu sonho. A minha mãe compreendeu-me e apoiou-me, mesmo apesar de ser um sonho caro. O meu pai é uma mente conservadora (de ciências!), que recusou o que eu queria, o que não faz lá muito sentido, porque tudo o que aprendi, aprendi com ele. Percebo que possa ser um futuro sem riquezas nem luxos, mas o que não me falta é motivação.

            Tenho uma prima chamada Susana, de vinte e tal anos, que está no curso de medicina, e eu uma vez perguntei-lhe qual tinha sido o momento da sua vida em que se apercebeu de que o que realmente queria seguir era medicina, que esta era a sua verdadeira vocação. Ela riu-se e disse: “Olha, nem agora estou segura de que o é, nunca estive, mas invejo a paixão com que falas das certezas do teu futuro”. Se tenho uma paixão, tenho que a seguir! Se sinto que tenho uma vocação, não perco nada! E não é vergonha nenhuma dizer que não vou para política, advocacia ou ciência, porque se amo o que faço, quero mostrá-lo a todo o mundo, e quero que me reconheçam pelo que faço. Quero servir de modelo a outros miúdos que no futuro sintam a mesma paixão por assuntos inusitados, e ajudá-los a perceber que não estão sozinhos no mundo, que têm que seguir as suas paixões, e dizê-lo e incentivá-los da mesma maneira como os meus professores o fizeram!

Quando tinha cinco anos, queria ser pintora. Com sete queria ser bombeira. Com nove queria ser “famosa como a Lili Caneças”. Com dez queria ser antropóloga e até aos doze estive indecisa entre isso ou escritora. Tenho catorze anos, estou no nono ano, e estou decidida a ir para Letras, porque o que eu mais quero ser no mundo é jornalista de música.

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